Quando falamos em vacinação, muita gente ainda associa o tema apenas à infância. No entanto, a imunização não termina na carteira infantil. Ao longo da vida adulta, algumas vacinas precisam ser reforçadas, atualizadas ou introduzidas, de acordo com idade, condições de saúde, profissão, viagens e mudanças no perfil epidemiológico.
Rever o calendário vacinal do adulto é uma das formas mais eficazes de prevenção de doenças potencialmente graves, muitas delas ainda bastante prevalentes.
Por que o adulto precisa se vacinar?
Com o passar dos anos, a imunidade pode diminuir, seja pelo envelhecimento natural do sistema imunológico, seja por doenças crônicas, uso de medicamentos imunossupressores ou maior exposição a riscos. Além disso, novos imunizantes surgiram nas últimas décadas, ampliando a proteção disponível.
Vacinar-se na vida adulta reduz hospitalizações, complicações, sequelas e até mortalidade.
Principais vacinas que todo adulto deve revisar
dT ou dTpa (Difteria, Tétano e Coqueluche)
A vacina contra tétano e difteria deve ser reforçada a cada 10 anos.
Em adultos que convivem com bebês, gestantes ou profissionais de saúde, a versão dTpa, que inclui proteção contra coqueluche, é especialmente recomendada.
Hepatite B
Indicada para todos os adultos não vacinados ou com esquema incompleto.
A hepatite B pode evoluir para cirrose e câncer de fígado, e a vacinação é altamente eficaz e segura.
Hepatite A
Recomendada principalmente para adultos que não tiveram contato prévio com o vírus, pessoas com doenças hepáticas, viajantes e profissionais com maior risco de exposição.
Influenza (gripe)
Deve ser aplicada anualmente. Em adultos, especialmente idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, a gripe pode levar a complicações respiratórias importantes.
Covid-19
Os esquemas e reforços devem ser atualizados conforme as recomendações vigentes, especialmente para grupos de risco. A proteção contra formas graves continua sendo o principal objetivo da vacinação.
HPV
Indicada para mulheres e homens, inclusive na vida adulta.
Mesmo após o início da vida sexual, a vacina oferece proteção contra tipos oncogênicos do vírus, relacionados a câncer de colo do útero, ânus, orofaringe e outros.
Herpes-zóster
Indicada principalmente a partir dos 50 anos ou antes em pessoas com maior risco.
Além de prevenir as lesões dolorosas na pele, a vacina reduz o risco de complicações neurológicas, como a neuralgia pós-herpética.
Pneumocócica
Recomendada para idosos, pessoas com doenças crônicas, imunossuprimidos e outras condições específicas. Ajuda a prevenir pneumonia, meningite e infecções invasivas.
Vacinação personalizada: não existe uma regra única
O calendário vacinal do adulto deve ser individualizado. Fatores como idade, histórico vacinal, doenças pré-existentes, uso de medicamentos, profissão e planos de viagem influenciam diretamente nas indicações.
Por isso, não basta “tomar todas as vacinas”: é essencial avaliar quais são realmente necessárias para você.
Vacinar é autocuidado e prevenção
A vacinação na vida adulta é uma ferramenta poderosa de proteção coletiva e individual.
Rever sua carteira de vacinação é um gesto simples, mas com impacto profundo na sua saúde a curto e longo prazo.
Se você não lembra quando foi sua última dose, esse já é um bom motivo para procurar um médico infectologista e atualizar sua proteção.
Prevenir ainda é o melhor tratamento.


